<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rdf:RDF xmlns="http://purl.org/rss/1.0/" xmlns:rdf="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"					xmlns:admin="http://webns.net/mvcb/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/">
<channel rdf:about="">
	<title>Blog Fernandes</title>
	<link></link>
	<description></description>
	<dc:language></dc:language>
	<admin:generatorAgent rdf:resource="http://www.terra.es"/>
	<items>
		<rdf:Seq>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/valeu_ate_a_proxima"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/outra_vez_numa_copa_a_armadilha_do_oba_o"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldo_e_zidane_grandes_historias_se_en"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldinho_gaucho_ou_encara_ou_a_fila_an"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/brasil_vence_com_ajuda_divina"/>
				</rdf:Seq>
	</items>
</channel>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/valeu_ate_a_proxima">
		<title>Valeu, at&#233; a pr&#243;xima</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/valeu_ate_a_proxima</link>
		<dc:date>03.07.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>Amsterdam. Ainda mais deliciosa num dia de ver&#227;o. A Copa j&#225; est&#225; longe, quase uma eternidade, mesmo com olhos e ouvidos &#224; espreita de que Felip&#227;o venha nos redimir, tornar imenso Portugal. Hora do &#250;ltimo blog, tempo da viagem quando surgir uma vaga, do mergulho de volta no Terra Magazine. Restam fragmentos. Apesar do final, foi divertido, lindo, valeu a pena. Valeu ver gente de quase todo o mundo, e valeu ver gente de todo o mundo com a camisa amarela. Valeu, em mais uma Copa, ver que holand&#234;s, ingl&#234;s, sueco, os cartesianos, racionais, tamb&#233;m choram e se desesperam por causa dela, a bola. Valeu pelos amigos de outras Copas e carnavais, e pelos novos amigos. Pela conviv&#234;ncia com o Wanderley, o Allen, os Marcelos, o S&#233;rgio, o Toninho, toda a rapaziada do Terra. Valeu viajar pelas Autobahns sem GPS &#8211; a essa altura acho que os &#250;nicos na Europa Ocidental - com os amigos Bernardo e Guga a discutir, guiados t&#227;o somente pelo faro: -Acho que &#233; por aqui... -N&#227;o, deve ser por ali... Busc&#225;vamos Berlim, Munique, Col&#244;nia, Dortmund...Sem o GPS e com esse m&#233;todo genuinamente brasileiro, que dispensa mapas, acabamos muitas vezes perto de Sorocaba, Cama&#231;ari, Viam&#227;o, Caruaru, Volta Redonda... Valeu assistir nas arquibancadas ao Messias de Jesus, da Sociedade da Bahia, entrevistar, gravar, editar, enviar, fazer tudo ao mesmo tempo, para incont&#225;veis programas, um verdadeiro homem-r&#225;dio, cheio de artes e talentos. Valeu conhecer de perto a F&#225;tima, a Bernardes. N&#227;o pela baboseira da fama, da celebrinagem global. Mas por perceber que apesar dos 40, 50 milh&#245;es de telespectadores, os p&#233;s continuam no ch&#227;o, saber que ela luta por isso, os p&#233;s no ch&#227;o, todos os dias, com consci&#234;ncia. Valeu constatar que a simpatia &#233; tanta quanto o talento, entender por qu&#234;, dos jogadores aos c&#226;meras e motoristas, dos colegas&#160;a quem quer que se aproxime, todos a admiram. Valeu acompanhar de perto o cotidiano da luta, brutal, &#233;pica, do Ronaldo para tentar voltar a ser Ronaldo. Valeu pressentir, intuir, ver &#8211;com dor, imensa tristeza - que o g&#234;nio Ronaldinho n&#227;o teria como escapar da armadilha. Que ele n&#227;o teria como suportar o peso de tanta responsabilidade, que al&#233;m de melhor-do-mundo, neg&#243;cios milon&#225;rios, todas as lentes, c&#226;meras e olhos do planeta, seria demasiado, al&#233;m do humano, carregar a fome, e a insaci&#225;vel fome de vencer - tantas vezes mal direcionada- de 180 milh&#245;es de brasileiros. Pel&#233;, em 66, viveu isso. Guga Kuerten vive isso. Ayrton Senna viveu, e morreu, por isso. Valeu ter a certeza de que Ronaldinho, Kak&#225;, Robinho, Cicinho, Juan, L&#250;cio e tantos outros perderam mas aprenderam, e estar&#227;o mais fortes, vacinados, na pr&#243;xima. Valeu, mais uma vez, viver e assistir &#224;s batalhas no Curralzinho de Darwin, onde a nossa esp&#233;cie, os rep&#243;rteres, jornalistas, -isentos, imparciais, objetivos - lutou bravamente pela sobreviv&#234;ncia da esp&#233;cie. Valeu ver a dor dos argentinos e o prazer deles com a nossa dor. Valeu ver, viver, a batalha da racionalidade extrema, das regras e manuais do&#160;cartesianismo alem&#227;o, com a improvisa&#231;&#227;o, a indisciplina, as n&#227;o-regras e n&#227;o-manuais dos verde-amarelos. Valeu confirmar que nem um e nem outro, que o caminho est&#225; no meio. Valeu viver K&#246;nigstein, Berlim, Munique, Stuttgart, Bergish Gladbach, Dortmund, Col&#244;nia, Frankfurt&#8230; Valeu rever o Zeca e o Jaeci, o amigo Rodolfo, o Anselmo, a Cora, e a armata do Globo, o Pr&#243;speri e toda a turma do JT, o Anderaos, o Piza, o Andr&#233;, e o Alberto Helena, o Pedro Ernesto, o Osterman,&#160;o Benfica e toda a&#160;tropa do sul. Valeu aquele treino, numa cidade de nome impronunci&#225;vel, com o Torero e a mo&#231;ada da Folha. Valeu reencontrar o ex-aluno Mateus Benato mandando ver no Lance&#160;e valeu, muito, o Lance. Valeu o T&#225; na &#193;rea, rapaziada. Como valeram o IRDEB e falar com toda a Bahia em A Tarde. Valeu testemunhar a admira&#231;&#227;o de colegas de todo o mundo pela lenda Tost&#227;o e reencontrar, menos que o necess&#225;rio, os amigos Juca e Andr&#233;, L&#250;cia e Luis Fernando. Valeu a solidariedade e a conviv&#234;ncia&#160;com o&#160;amigo Fabio Altman, um otimista inveterado at&#233; o Zidane come&#231;ar a bailar em campo. Valeu, no meio daquele sufoco contra a Cro&#225;cia e a pestil&#234;ncia das mesmas meias de sempre, a perfumada apari&#231;&#227;o, que se repita, da Adriana Pizzotti. Valeu reencontrar o Renato e o help da Beb&#234; via Cila. Muita energia e grana no lixo, incont&#225;veis gargalhadas a cada trapalhada, mas valeu o duelo &#8211; sempre a cr&#244;nica de uma derrota anunciada &#8211; com as rebimbocas e parafusetas da tecnologia. Valeu a presen&#231;a, o trabalho, a for&#231;a do Rodrigo, Alexandre, Fernanda, Amanda, Carol, Mariana...no Terra Magazine. Valeu conviver com os nossos her&#243;is &#8211;sim, hoje querem esfol&#225;-los, mas isso passa -, eventualmente&#160;equivocados, mas&#160;gente do bem. Valeu pelas vit&#243;rias, mesmo sofridas, pelos gols, pelo futebol. Valeu, pelo menos isso, ver a cartolagem cebe&#233;fiana enfiar o rabo e a incompet&#234;ncia arrogante entre as pernas. Valeu, ao menos isso, assistir de perto, ao vivo, ao desmanche do oba-oba, do somos-os-melhores-do-mundo, da presepada ufanista e patrioteira, cen&#225;rio enfadonhamente repetitivo - at&#233; com um cavalo, o Baloubet de Rouet, lembram-se?- e no qual s&#243; quem fatura s&#227;o os mesmos de sempre. Espero, sem tanta esperan&#231;a assim, que a dose da vacina tenha sido suficiente para a patul&#233;ia. Este blog agora entra em estado de hiberna&#231;&#227;o, at&#233; que outro evento exija. Valeu a aten&#231;&#227;o, a paci&#234;ncia, o acesso, o elogio, a cr&#237;tica, a presen&#231;a de todos voc&#234;s, car&#237;ssimos e car&#237;ssimas internautas. Valeu, est&#225; valendo, Amsterdam neste ensolarado fim da tarde, som na caixa, com Velvet Underground, Lou Reed, em &#8220;Pale Blue Eyes&#8221;... </description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/outra_vez_numa_copa_a_armadilha_do_oba_o">
		<title>Outra vez numa copa, a armadilha do oba-oba</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/outra_vez_numa_copa_a_armadilha_do_oba_o</link>
		<dc:date>02.07.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>foto: ReutersEscrevi uma carta para minhas amadas filhas, Luana e Let&#237;cia, mas a fam&#237;lia entende ser esse um assunto de fam&#237;lia. Falava de dor, do saber perder e ganhar, essas coisas. Tentava, na verdade, n&#227;o enfrentar a derrota de frente.Derrotas, aprendemos tamb&#233;m mais esta platitude na vida, ensinam. Vit&#243;rias tamb&#233;m. Em 94, depois de um empate com a Su&#233;cia, sabor de vit&#243;ria porque classificou o Brasil em primeiro para a fase seguinte, ouvi a li&#231;&#227;o do grande Di Stefano, mais ou menos nestes termos:- Voc&#234;s, brasileiros, partem do pressuposto que o advers&#225;rio n&#227;o existe. &#201; o Brasil que joga bem, ou joga mal, como se o advers&#225;rio tamb&#233;m n&#227;o estivesse ali para defender, atacar, fazer gols, ganhar. O advers&#225;rio, a Fran&#231;a, os francesos, novamente foi melhor em campo. Desta vez, n&#227;o h&#225; desculpas. Na verdade, a Fran&#231;a deu um show, comandada pelo grande Zinedine Zidane, o Zizou. Ponto.Em 1966, eu ainda era menino, o Brasil precisava vencer, por muitos gols, n&#227;o me lembro quantos, o mesmo Portugal que agora Felip&#227;o ajudou a levar para as finais. Recordo a foto e a manchete em um jornal.Di&#225;rio da Noite? Talvez. Pel&#233;, ajoelhado em uma igreja, e o t&#237;tulo, gigantesco:- Pel&#233;, jogai por n&#243;s!Nem Ele, o Rei, o deus de todos os est&#225;dios, conseguiu, conseguiria, pois, li&#231;&#227;o e platitude n&#250;mero dois: futebol n&#227;o se joga sozinho, nem com 11 Pel&#233;s em campo. Quatro anos depois, com Pel&#233; e um time, o tricampeonato no M&#233;xico.Li&#231;&#227;o e platitude n&#250;mero tr&#234;s: sem l&#237;deres, batalhas n&#227;o s&#227;o vencidas. Aprendemos, dever&#237;amos ter apreendido e aprendido isso, com Didi, Zito, Gerson, Carlos Alberto, Pel&#233;, Rom&#225;rio - silencioso e solit&#225;rio em campo, mas l&#237;der &#224; sua maneira - e Dunga. Sim, o Dunga.Aprendemos que um l&#237;der pode n&#227;o estar necessariamente dentro das quatro linhas. Felip&#227;o - tirei meu chap&#233;u l&#225; atr&#225;s, mas com atraso - mostrou isso em 2002, e mostra agora novamente. Li&#231;&#227;o e platitude n&#250;mero quatro: aprendemos, dever&#237;amos ter aprendido, com Ronaldo em 98: Copa do Mundo &#233;... Copa do Mundo!Estamos atolados h&#225; um m&#234;s na televis&#227;o, na internet, na m&#237;dia impressa, no r&#225;dio, mal se fala e pensa em outra coisa. Copa, portanto, &#233; Copa.Na brincadeira, j&#225; disse um dia um querido amigo ga&#250;cho para as duas filhas e o filho, enquanto sa&#237;a para uma reuni&#227;o do conselho do seu Internacional:- Futebol &#233; mais importante do que a fam&#237;lia...Copa, ent&#227;o...Isso o Ronaldo aprendeu em 98, quando &#8220;apagou&#8221; na final. N&#227;o se deve, jamais, cair na armadilha do somos-os-melhores, somos-o-melhor. Porque isso para nada serve, salvo para ilusoriamente matar a fome de um pa&#237;s com fome, e com sede de vit&#243;ria, alguma vit&#243;ria.Esse somos-o-melhor-do mundo, esse sou-o-melhor-do-mundo, &#233; uma armadilha. Embora fato para um pa&#237;s que tem 5 Copas do Mundo, uma armadilha.Armadilha porque quem j&#225; esteve, acompanhou, viu, viveu, sabe: uma Copa pesa um mundo.Uma Copa, para um jogador brasileiro, j&#225; tem de sa&#237;da o peso de uns 180 milh&#245;es de brasileiros. &#201; pouco inteligente, portanto, depositar ainda mais peso, mais responsabilidade, nos ombros de quem j&#225; carrega tanto.Ok, vendam seus televisores, pacotes de viagem, carros, jornais, revistas, programas, badulaques em geral, mas na pr&#243;xima n&#227;o sobrecarreguem ainda mais os jovens her&#243;is.Eles, tantas vezes, s&#227;o mais inocentes do que parecem, mesmo com seus muitos milh&#245;es, muitos tudo.Que na pr&#243;xima n&#227;o se diga, a cada dia, hora, minuto, que eles s&#227;o, que ele &#233;, o melhor, os melhores do mundo.Que na pr&#243;xima o oba-oba n&#227;o torne o fardo insuportavelmente pesado, a ponto de paralisar a tudo e a todos, como vimos nesse 1&#186; de julho.Que na pr&#243;xima eles sejam, como tantas vezes foram, ser&#227;o, os melhores do mundo, mas sem que sejam tangidos para tanto.Tangidos eles, e tangido, como uma boiada, quem est&#225; em casa, no trabalho, na vida, quase obrigado a crer em tudo que l&#234;, ouve, v&#234;. Quase sem ter o direito de perceber, de enxergar de outra forma.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldo_e_zidane_grandes_historias_se_en">
		<title>Ronaldo e Zidane: grandes hist&#243;rias se enfrentam</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldo_e_zidane_grandes_historias_se_en</link>
		<dc:date>01.07.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>Um dos meninos nasceu pobre num sub&#250;rbio do Rio de Janeiro. O outro, &#233; filho de argelinos emigrados para a Fran&#231;a.Um j&#225; era rico, c&#233;lebre - campe&#227;o mundial aos 17 anos - um dos joelhos operado com pouco mais de 20, e um dia, com o mundo parado para assisti-lo e aos seus, falhou. Apagou.  Em Paris. No final, no grande dia.Naquele mesmo dia, hora e lugar, o outro comandou o espet&#225;culo. Horas depois, na celebra&#231;&#227;o da data nacional do pa&#237;s que o adotou, j&#225; era uma lenda.Um voltou para seu pa&#237;s sob suspeita. Seu pa&#237;s costuma, a um s&#243; tempo, venerar e invejar seus &#237;dolos. Tudo se disse sobre o dia em que ele apagou.Pouco tempo depois, rompeu um dos joelhos. Bastou. Foi dado como acabado, liquidado. Dois anos depois esse menino, como se fosse aquele p&#225;ssaro, a F&#234;nix, renasceu das cinzas.Das cinzas de todo o lixo que se produziu sobre ele.No grande dia, o dia final, l&#225; no Jap&#227;o, ele ganhou. Ganhou tudo que algu&#233;m, naquela profiss&#227;o, poderia ganhar num s&#243; dia.O outro agora se despede. Como um deus para a eternidade ou, mesmo se perder e encolher um pouco, como um dos maiores de todos os tempos.O daquele pa&#237;s que ama mas inveja &#8211;o sucesso alheio &#233; uma ofensa pessoal, definiu um dia um dos filhos mais ilustres desse pa&#237;s &#8211; at&#233; outro dia era dado como acabado, novamente.Gordo, escarneciam, gordo!Ele admite que foi culpa dele tamb&#233;m. Mas ele nunca soube, ou nunca quis dizer, que um homem, que mesmo 23 homens, n&#227;o conseguem sozinhos matar a fome e a necessidade de vit&#243;rias de um pa&#237;s inteiro.Ele, a quem diziam &#8220;gordo&#8221; com esc&#225;rnio, ressuscitou faz uns dias, novamente o veneram.O outro se pronuncia, no pa&#237;s onde &#233; uma lenda, Zizou. Deveria ser Zizi, mas l&#225; &#233; assim que chamam ao pinto dos meninos enquanto meninos.Um se chama Ronaldo. Que um dia j&#225; foi Ronaldinho. O outro, Zizou, ganha ou perca, se despedir&#225; em breve e seguir&#225; lenda em seu pa&#237;s.A Ronaldo s&#243; resta uma alternativa. Vencer. Sempre.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldinho_gaucho_ou_encara_ou_a_fila_an">
		<title>Ronaldinho Ga&#250;cho: ou encara ou... a fila anda</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldinho_gaucho_ou_encara_ou_a_fila_an</link>
		<dc:date>30.06.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>foto: ReutersEle &#233; t&#237;mido. De alguma forma sua origem o estimula e o inibe. Quando diz que o preconceito contra si &#233; por conta de ser quem &#233; e de vir de onde veio exp&#245;e o essencial para se entend&#234;-lo. Mesmo que esteja certo. Se entender a sede que o move. Moveu em 2002, e desde antes, ainda na sua Paulista, interior de Pernambuco. Ele j&#225; fora bem em 98. Mas continuava sob suspeita. Alguma suspeita. N&#227;o para todos, mas para muitos. A timidez, o jeit&#227;o desengon&#231;ado configurado nas pernas arqueadas, a incapacidade para compreender, ou para enfrentar, os c&#243;digos do Curralzinho de Darwin, onde a m&#237;dia &#8211;quase sempre isenta, imparcial e objetiva - luta para sobreviver, o conjunto da obra o levou a estar sob eterna suspeita: no instante decisivo ele falharia. N&#227;o falhou. Nos instantes decisivos, na Copa de 2002, foi protagonista, talvez o principal, ainda que muitos ainda n&#227;o tenham notado, ou sigam a dizer que n&#227;o. Al&#233;m do que fez em toda a Copa, como havia feito em 98 - &#224; exce&#231;&#227;o da final quando ningu&#233;m fez quase nada -, no instante decisivo ele n&#227;o falhou. Ao contr&#225;rio, assumiu o comando, brilhou. No primeiro gol de Ronaldo ele disparou o torpedo rasante que levaria &#224; queda do at&#233; ent&#227;o invenc&#237;vel Oliver Khan. No segundo, criou a centelha, o corta-luz que reduziu a racionalidade germ&#226;nica &#224; condi&#231;&#227;o em que pode ser derrotada pelo improviso. Rivaldo abriu de supet&#227;o as pernas arqueadas e a bola na diagonal enfiada por Kl&#233;berson encontrou Ronaldo, que a dominou, escolheu o canto e tocou, no gol que sacramentou o penta. Ele ainda sonhou com esta Copa. Gravou seus 14 gols no bicampe&#227;o Olimpiakos, da Gr&#233;cia, mandou a fita para o Brasil, mas j&#225; era tarde. Estava fora. Recordo Rivaldo por conta de expectativas distintas, quase opostas, em rela&#231;&#227;o ao 10 de agora na sele&#231;&#227;o amarela. Ronaldo, o ga&#250;cho. Melhor do mundo, g&#234;nio, Rei de Barcelona, campe&#227;o da Europa, mais malabarista com a bola do que as focas e golfinhos do aqu&#225;rio de Baltimore, candidato &#8211;indica&#231;&#227;o n&#227;o feita por ele, anote-se - a &#8220;ganhar o mundial sozinho&#8221;. A ver. N&#227;o cometerei aqui o pecado de entregar-lhe o mesmo fardo que jogaram nas costas do outro Ronaldo &#8211; e do qual ele s&#243; come&#231;ou a se livrar tr&#234;s gols depois. Mas, vamos aos fatos. Noutro dia ele disse que jogava mais atr&#225;s por determina&#231;&#227;o do professor Parreira. No jogo contra os ganos (Ai, ui, e v&#234;m pauladas de quem n&#227;o aceita meus ganos, francesos e assemelhados, mas, como eles s&#227;o meus...) o professor enfiou o Juninho e jogou-o para a frente. E a&#237;? A&#237;, nada. Normal. Em 2002 ele era coadjuvante, n&#227;o o anunciado dono da cocada preta. Saiu-se bem. Agora ele &#233;, foi ainda mais antes da Copa, o centro das aten&#231;&#245;es. Ronaldo, o outro, o Fen&#244;meno, sabe desde a final em 98, desde sua morte para a bola trombeteada pr&#233;- 2002, e desde a tentativa recente de enterrar sua trajet&#243;ria hist&#243;rica sob um monte de gordura, o que &#233; ser o centro das aten&#231;&#245;es. O que &#233; carregar a fome e a vontade de vencer de quase todo um pa&#237;s. Ronaldinho, o ga&#250;cho, se alimenta das aten&#231;&#245;es, quanto mais melhor, como &#233; sempre, deve ser sempre, com quem est&#225; no prosc&#234;nio. Mas ele quer mais, muito mais. Noutro dia, a bandeira. Barcelona contra algu&#233;m. Ele passou a bola para um lado e, mil&#233;simos de segundos depois, olhou para o outro lado. Esse movimento ele costuma executar de forma concatenada: olha para um lado enquanto toca para o lado oposto. Mas no dia em que ele, mil&#233;simos de segundos depois de j&#225; ter j&#225; tocado, olhou para o outro lado, esvaziou a integridade da jogada (bel&#237;ssima jogada), deu uma pista. Uma pista do que o move. A fome, insaci&#225;vel, pela aten&#231;&#227;o, pela admira&#231;&#227;o do outro, dos outros, se poss&#237;vel do mundo inteiro. A hora chegou. Esta &#233;, deveria ser, a sua Copa do Mundo. Dois, dois e meio, tr&#234;s bilh&#245;es de humanos estar&#227;o de olhos em Ronaldo ga&#250;cho amanh&#227;. Isso pesa, muito. &#192;s vezes insuportavelmente. A hora &#233; esta. Ou encara ou...a fila anda.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/brasil_vence_com_ajuda_divina">
		<title>Brasil vence, com ajuda divina</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/brasil_vence_com_ajuda_divina</link>
		<dc:date>27.06.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject></dc:subject>
		<description>foto: Reuters
M&#227;e e filho, &#193;frica e Brasil.&#160;Jogadores dos dois times, sem combinar mas ao mesmo tempo, cada um em seu lado do campo, formam uma roda, se abra&#231;am, e oram. Bola no centro. Adriano ergue m&#227;os, bra&#231;os e olhos para o c&#233;u. (Esse realmente anda necessitado.) O Emerson n&#227;o pediu, Senhor!, mas por favor inclua-o no pacote. Ao menos, ajude-o a entregar aquela mesa, as tr&#234;s cadeiras e as duas lumin&#225;rias que tem carregado em campo. Ronaldo est&#225; arisco, chama, Kak&#225; percebe e toca. Bem, voc&#234;s viram a&#237;, o Galv&#227;o deve ter se esgoelado. Mas &#233; preciso dizer algumas palavras. No meu &#226;ngulo de vis&#227;o est&#225; um jap&#244;nio. Contra os austr&#225;lios, ele sentou-se exatamente a meu lado. Anota tudo, faz gr&#225;ficos, c&#225;lculos e desenhos impressionantes. Se o Niemeyer v&#234;, contrata. Pois o Ronaldo acabou de dar aquele n&#243;, deslocar a oitava v&#233;rtebra do goleiro gano, rolar para as redes, e o jap&#244;nio ainda est&#225; l&#225;, parado, olhos arregalados e m&#227;os &#224; frente da boca: -Oh!Oh!Oh. No intervalo procuro pelo colega de isen&#231;&#227;o, imparcialidade e objetividade. O jap&#244;nio est&#225; debru&#231;ado sobre a prancheta, ainda a calcular alguma coisa relacionada ao n&#243; do Ronaldo. Tira os olhos do papel e me diz, em portugu&#234;s: -Bonito, bonito... Emerson sente alguma coisa...Senhor, eu sou do bem, n&#227;o pedi e nada tenho com isso, deve ter sido outro ... eu apenas roguei para que ele se livrasse daquela mesa, das tr&#234;s cadeiras e das duas lumin&#225;rias. Emerson toma a bola, d&#225; tr&#234;s passos, trope&#231;a em alguma coisa &#8211;talvez num fio das lumin&#225;rias &#8211; , o L&#250;cio, aquele le&#227;o, impaciente, arranca a bola do Emerson e arranca. Toca para o Cafu. Cafu - o jogo acabou e o Cafu ainda est&#225; correndo,&#160;meu Deus, como corre o Cafu! Aos 36 anos!-, o Cafu corre, chega quase&#160;&#224; linha de fundo e entrega, mam&#227;o com a&#231;&#250;car, para o Adriano. O Adriano &#233; do bem, todos eles s&#227;o, quem convive sabe, mas o cara tem santo forte, e isso n&#227;o &#233; coisa que dependa dele. Sen&#227;o, vejamos. O Edmilson deu aquela cotovelada nele; sem querer, eles s&#227;o amigos. O Edmilson embarcou de volta 24 horas depois. Joelho. O Robinho. O Robinho j&#225; estava dormindo de caneleira, sunga, dando pedalada no len&#231;ol, pronto pra entrar e .... catapimba! Coxa. O pessoal do Rio me informa que os tambores da Vila Cruzeiro s&#227;o quentes. Devem ser, devem ser. O bandeira n&#227;o viu, as coisas taparam os olhos dele. Naquela reprise ligeira, aqui no monitor da minha bancada, o Adriano esteve impedido por tr&#234;s vezes no mesmo lance. Nas duas primeiras, ok, impedimento passivo, mas na hora da coxada-joelhada final na bola e o gol, me pareceu estar de novo &#224; frente. Compensa&#231;&#227;o, compensa&#231;&#227;o. Para mim ele sofreu p&#234;nalti quando tomou o cart&#227;o amarelo, mas h&#225; controv&#233;rsias, h&#225; controv&#233;rsias. De qualquer modo, Mr. Lubos Michel, o juiz, escapou de boa. Se o&#160;eslovaquio n&#227;o d&#225; o gol, depois do p&#234;nalti e do amarelo, imaginem a coisa l&#225; na Vila Cruzeiro; e o juiz&#227;o, amanh&#227; de manh&#227;zinha, porta da casa em Bratislava, a se deparar com a galinha, a farofa e as velas... Segundo tempo. O Gilberto Silva arruma tudo que faltava arrumar l&#225; atr&#225;s, o Cafu pode seguir correndo, subindo. Outro partida&#231;o do le&#227;o L&#250;cio, e Juan, mais uma vez, de fraque e cartola em campo. N&#227;o fosse um zagueiro, e que ainda fala pouco e com a l&#237;ngua presa, todos j&#225; teriam percebido: Juan &#233;, at&#233; agora, o melhor amarelo na copa. Tanto que um ooohhhhh percorreu o est&#225;dio quando aconteceu aquilo. Parece incr&#237;vel, mas ele errou. O Juan errou uma jogada na Copa!!! Os ganos quase aproveitaram, mas o oooohhhhh do est&#225;dio inteiro foi uma homenagem ao Juan. Escolheram o Z&#233; Roberto, outra vez, o melhor em campo. Ele jogou muito, fez um belo gol, &#233; chei-di-perna, como dizem na Fonte Nova, mas o Juan tem sido um espanto. Roberto Carlos, meu vizinho de blog. Nenhuma cerezada, at&#233; quase o final. A&#237;, n&#227;o deram uma bola para ele (ele tinha raz&#227;o, ia sair na cara do gol), e quando n&#227;o deram a bola, ele cerezou. Os ganos quase fizeram no contra-ataque, ali pela &#225;rea do Roberto, enquanto ele ficou l&#225; na frente, esperneando, p da vida, a discutir com o ga&#250;cho. Reparem, quando assistirem &#224; reprise pela nona vez: ele fica l&#225; na frente, dando pulos de raiva e depois, na jogada seguinte, d&#225; um chut&#227;o l&#225; de tr&#225;s, como se quisesse surpreender o goleiro. N&#227;o, n&#227;o foi isso, n&#227;o. O lateral de Araras estava uma arara, por isso aquele chut&#227;o. Sigo com minha tese. H&#225; ali, pela ala esquerda, um problema de superego. N&#227;o estruturou direito, falta auto-censura, umas poucas gramas pelo menos. Quando assistirem &#224; reprise pela d&#233;cima&#8211;oitava vez reparem: na seq&#252;&#234;ncia desse mesmo lance o Roberto se vira para o banco e, se bem entendi, pede substitui&#231;&#227;o. Percebam se n&#227;o foi assim. Kak&#225;. Deu o passe para o primeiro, mas estava com muita pressa, errou muito. N&#227;o foi t&#227;o bem como nas outras, mas seu cr&#233;dito &#233; imenso. Imenso &#233; o Dida. Tapa o gol inteiro. Deve ser terr&#237;vel o atacante invadir a &#225;rea, chegar perto do gol e ... l&#225; est&#225; o Dida, intermin&#225;vel. Ronaldo, o ga&#250;cho. Disse-me outro dia que est&#225; mais atr&#225;s porque o professor pediu... o professor enfiou o Juninho, que entrou bem e pode at&#233; n&#227;o sair mais agora que o bicho vai pegar... e o ga&#250;cho seguiu l&#225; atr&#225;s. Em 2002 o ga&#250;cho era coadjuvante, n&#227;o a estrela principal, que agora espera-se que seja e ele ainda nem chegou perto de ser. &#201; at&#233; bom que esteja a dever. De repente, paga na pr&#243;xima. Ricardinho: entrou muito bem, anteviu e deixou o Z&#233; Roberto na cara do gol.Ronaldo. Procuro aqui no centro de m&#237;dia, e n&#227;o acho, a turma isenta que jurava encontr&#225;-lo sempre na padaria de Madrid batendo um sandub&#227;o de presunto &#8211; regado a coca preta-, ou no super, com o carrinho atrolhado de nuggets e leite condensado. Agora vir&#227;o os francesos. Pode at&#233;, no final,&#160;n&#227;o terminar bem, mas o Ronaldo j&#225; deixou o alem&#244;nio Gerd Muller para tr&#225;s,&#160;e &#233; o maior artilheiro da hist&#243;ria das Copas. Passa por aqui Paolo Vicentino, do Corriere della Sera. Batemos uma bola, concordamos: -&#201; um time pragm&#225;tico, europeu na postura, no jeit&#227;o em campo; n&#227;o na mec&#226;nica, que trataremos em outro dia. Na defini&#231;&#227;o, na conclus&#227;o, &#233;, minimalisticamente brasileiro. Gol dos esp&#226;nios, contra os francesos. Gols dos francesos, contra os esp&#226;nios. Os francesos avan&#231;am, 3 a 1.
A torcida verde-amarela, por aqui segue a berrar pelas ruas o que gritou em coro nas arquibancadas:-Ih, f...deu, o Ronaldo emagreceu, ih, f...deu, o Ronaldo emagreceu... </description>
	</item>
</rdf:RDF><?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rdf:RDF xmlns="http://purl.org/rss/1.0/" xmlns:rdf="http://www.w3.org/1999/02/22-rdf-syntax-ns#" xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/" xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"					xmlns:admin="http://webns.net/mvcb/" xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/">
<channel rdf:about="">
	<title>Blog Fernandes</title>
	<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br</link>
	<description></description>
	<dc:language>pt-BR</dc:language>
	<admin:generatorAgent rdf:resource="http://www.terra.es"/>
	<items>
		<rdf:Seq>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/valeu_ate_a_proxima"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/outra_vez_numa_copa_a_armadilha_do_oba_o"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldo_e_zidane_grandes_historias_se_en"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldinho_gaucho_ou_encara_ou_a_fila_an"/>
					<rdf:li rdf:resource="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/brasil_vence_com_ajuda_divina"/>
				</rdf:Seq>
	</items>
</channel>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/valeu_ate_a_proxima">
		<title>Valeu, at&#233; a pr&#243;xima</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/valeu_ate_a_proxima</link>
		<dc:date>03.07.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject>Esportes</dc:subject>
		<description>Amsterdam. Ainda mais deliciosa num dia de ver&#227;o. A Copa j&#225; est&#225; longe, quase uma eternidade, mesmo com olhos e ouvidos &#224; espreita de que Felip&#227;o venha nos redimir, tornar imenso Portugal. Hora do &#250;ltimo blog, tempo da viagem quando surgir uma vaga, do mergulho de volta no Terra Magazine. Restam fragmentos. Apesar do final, foi divertido, lindo, valeu a pena. Valeu ver gente de quase todo o mundo, e valeu ver gente de todo o mundo com a camisa amarela. Valeu, em mais uma Copa, ver que holand&#234;s, ingl&#234;s, sueco, os cartesianos, racionais, tamb&#233;m choram e se desesperam por causa dela, a bola. Valeu pelos amigos de outras Copas e carnavais, e pelos novos amigos. Pela conviv&#234;ncia com o Wanderley, o Allen, os Marcelos, o S&#233;rgio, o Toninho, toda a rapaziada do Terra. Valeu viajar pelas Autobahns sem GPS &#8211; a essa altura acho que os &#250;nicos na Europa Ocidental - com os amigos Bernardo e Guga a discutir, guiados t&#227;o somente pelo faro: -Acho que &#233; por aqui... -N&#227;o, deve ser por ali... Busc&#225;vamos Berlim, Munique, Col&#244;nia, Dortmund...Sem o GPS e com esse m&#233;todo genuinamente brasileiro, que dispensa mapas, acabamos muitas vezes perto de Sorocaba, Cama&#231;ari, Viam&#227;o, Caruaru, Volta Redonda... Valeu assistir nas arquibancadas ao Messias de Jesus, da Sociedade da Bahia, entrevistar, gravar, editar, enviar, fazer tudo ao mesmo tempo, para incont&#225;veis programas, um verdadeiro homem-r&#225;dio, cheio de artes e talentos. Valeu conhecer de perto a F&#225;tima, a Bernardes. N&#227;o pela baboseira da fama, da celebrinagem global. Mas por perceber que apesar dos 40, 50 milh&#245;es de telespectadores, os p&#233;s continuam no ch&#227;o, saber que ela luta por isso, os p&#233;s no ch&#227;o, todos os dias, com consci&#234;ncia. Valeu constatar que a simpatia &#233; tanta quanto o talento, entender por qu&#234;, dos jogadores aos c&#226;meras e motoristas, dos colegas&#160;a quem quer que se aproxime, todos a admiram. Valeu acompanhar de perto o cotidiano da luta, brutal, &#233;pica, do Ronaldo para tentar voltar a ser Ronaldo. Valeu pressentir, intuir, ver &#8211;com dor, imensa tristeza - que o g&#234;nio Ronaldinho n&#227;o teria como escapar da armadilha. Que ele n&#227;o teria como suportar o peso de tanta responsabilidade, que al&#233;m de melhor-do-mundo, neg&#243;cios milon&#225;rios, todas as lentes, c&#226;meras e olhos do planeta, seria demasiado, al&#233;m do humano, carregar a fome, e a insaci&#225;vel fome de vencer - tantas vezes mal direcionada- de 180 milh&#245;es de brasileiros. Pel&#233;, em 66, viveu isso. Guga Kuerten vive isso. Ayrton Senna viveu, e morreu, por isso. Valeu ter a certeza de que Ronaldinho, Kak&#225;, Robinho, Cicinho, Juan, L&#250;cio e tantos outros perderam mas aprenderam, e estar&#227;o mais fortes, vacinados, na pr&#243;xima. Valeu, mais uma vez, viver e assistir &#224;s batalhas no Curralzinho de Darwin, onde a nossa esp&#233;cie, os rep&#243;rteres, jornalistas, -isentos, imparciais, objetivos - lutou bravamente pela sobreviv&#234;ncia da esp&#233;cie. Valeu ver a dor dos argentinos e o prazer deles com a nossa dor. Valeu ver, viver, a batalha da racionalidade extrema, das regras e manuais do&#160;cartesianismo alem&#227;o, com a improvisa&#231;&#227;o, a indisciplina, as n&#227;o-regras e n&#227;o-manuais dos verde-amarelos. Valeu confirmar que nem um e nem outro, que o caminho est&#225; no meio. Valeu viver K&#246;nigstein, Berlim, Munique, Stuttgart, Bergish Gladbach, Dortmund, Col&#244;nia, Frankfurt&#8230; Valeu rever o Zeca e o Jaeci, o amigo Rodolfo, o Anselmo, a Cora, e a armata do Globo, o Pr&#243;speri e toda a turma do JT, o Anderaos, o Piza, o Andr&#233;, e o Alberto Helena, o Pedro Ernesto, o Osterman,&#160;o Benfica e toda a&#160;tropa do sul. Valeu aquele treino, numa cidade de nome impronunci&#225;vel, com o Torero e a mo&#231;ada da Folha. Valeu reencontrar o ex-aluno Mateus Benato mandando ver no Lance&#160;e valeu, muito, o Lance. Valeu o T&#225; na &#193;rea, rapaziada. Como valeram o IRDEB e falar com toda a Bahia em A Tarde. Valeu testemunhar a admira&#231;&#227;o de colegas de todo o mundo pela lenda Tost&#227;o e reencontrar, menos que o necess&#225;rio, os amigos Juca e Andr&#233;, L&#250;cia e Luis Fernando. Valeu a solidariedade e a conviv&#234;ncia&#160;com o&#160;amigo Fabio Altman, um otimista inveterado at&#233; o Zidane come&#231;ar a bailar em campo. Valeu, no meio daquele sufoco contra a Cro&#225;cia e a pestil&#234;ncia das mesmas meias de sempre, a perfumada apari&#231;&#227;o, que se repita, da Adriana Pizzotti. Valeu reencontrar o Renato e o help da Beb&#234; via Cila. Muita energia e grana no lixo, incont&#225;veis gargalhadas a cada trapalhada, mas valeu o duelo &#8211; sempre a cr&#244;nica de uma derrota anunciada &#8211; com as rebimbocas e parafusetas da tecnologia. Valeu a presen&#231;a, o trabalho, a for&#231;a do Rodrigo, Alexandre, Fernanda, Amanda, Carol, Mariana...no Terra Magazine. Valeu conviver com os nossos her&#243;is &#8211;sim, hoje querem esfol&#225;-los, mas isso passa -, eventualmente&#160;equivocados, mas&#160;gente do bem. Valeu pelas vit&#243;rias, mesmo sofridas, pelos gols, pelo futebol. Valeu, pelo menos isso, ver a cartolagem cebe&#233;fiana enfiar o rabo e a incompet&#234;ncia arrogante entre as pernas. Valeu, ao menos isso, assistir de perto, ao vivo, ao desmanche do oba-oba, do somos-os-melhores-do-mundo, da presepada ufanista e patrioteira, cen&#225;rio enfadonhamente repetitivo - at&#233; com um cavalo, o Baloubet de Rouet, lembram-se?- e no qual s&#243; quem fatura s&#227;o os mesmos de sempre. Espero, sem tanta esperan&#231;a assim, que a dose da vacina tenha sido suficiente para a patul&#233;ia. Este blog agora entra em estado de hiberna&#231;&#227;o, at&#233; que outro evento exija. Valeu a aten&#231;&#227;o, a paci&#234;ncia, o acesso, o elogio, a cr&#237;tica, a presen&#231;a de todos voc&#234;s, car&#237;ssimos e car&#237;ssimas internautas. Valeu, est&#225; valendo, Amsterdam neste ensolarado fim da tarde, som na caixa, com Velvet Underground, Lou Reed, em &#8220;Pale Blue Eyes&#8221;... </description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/outra_vez_numa_copa_a_armadilha_do_oba_o">
		<title>Outra vez numa copa, a armadilha do oba-oba</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/outra_vez_numa_copa_a_armadilha_do_oba_o</link>
		<dc:date>02.07.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject>Esportes</dc:subject>
		<description>foto: ReutersEscrevi uma carta para minhas amadas filhas, Luana e Let&#237;cia, mas a fam&#237;lia entende ser esse um assunto de fam&#237;lia. Falava de dor, do saber perder e ganhar, essas coisas. Tentava, na verdade, n&#227;o enfrentar a derrota de frente.Derrotas, aprendemos tamb&#233;m mais esta platitude na vida, ensinam. Vit&#243;rias tamb&#233;m. Em 94, depois de um empate com a Su&#233;cia, sabor de vit&#243;ria porque classificou o Brasil em primeiro para a fase seguinte, ouvi a li&#231;&#227;o do grande Di Stefano, mais ou menos nestes termos:- Voc&#234;s, brasileiros, partem do pressuposto que o advers&#225;rio n&#227;o existe. &#201; o Brasil que joga bem, ou joga mal, como se o advers&#225;rio tamb&#233;m n&#227;o estivesse ali para defender, atacar, fazer gols, ganhar. O advers&#225;rio, a Fran&#231;a, os francesos, novamente foi melhor em campo. Desta vez, n&#227;o h&#225; desculpas. Na verdade, a Fran&#231;a deu um show, comandada pelo grande Zinedine Zidane, o Zizou. Ponto.Em 1966, eu ainda era menino, o Brasil precisava vencer, por muitos gols, n&#227;o me lembro quantos, o mesmo Portugal que agora Felip&#227;o ajudou a levar para as finais. Recordo a foto e a manchete em um jornal.Di&#225;rio da Noite? Talvez. Pel&#233;, ajoelhado em uma igreja, e o t&#237;tulo, gigantesco:- Pel&#233;, jogai por n&#243;s!Nem Ele, o Rei, o deus de todos os est&#225;dios, conseguiu, conseguiria, pois, li&#231;&#227;o e platitude n&#250;mero dois: futebol n&#227;o se joga sozinho, nem com 11 Pel&#233;s em campo. Quatro anos depois, com Pel&#233; e um time, o tricampeonato no M&#233;xico.Li&#231;&#227;o e platitude n&#250;mero tr&#234;s: sem l&#237;deres, batalhas n&#227;o s&#227;o vencidas. Aprendemos, dever&#237;amos ter apreendido e aprendido isso, com Didi, Zito, Gerson, Carlos Alberto, Pel&#233;, Rom&#225;rio - silencioso e solit&#225;rio em campo, mas l&#237;der &#224; sua maneira - e Dunga. Sim, o Dunga.Aprendemos que um l&#237;der pode n&#227;o estar necessariamente dentro das quatro linhas. Felip&#227;o - tirei meu chap&#233;u l&#225; atr&#225;s, mas com atraso - mostrou isso em 2002, e mostra agora novamente. Li&#231;&#227;o e platitude n&#250;mero quatro: aprendemos, dever&#237;amos ter aprendido, com Ronaldo em 98: Copa do Mundo &#233;... Copa do Mundo!Estamos atolados h&#225; um m&#234;s na televis&#227;o, na internet, na m&#237;dia impressa, no r&#225;dio, mal se fala e pensa em outra coisa. Copa, portanto, &#233; Copa.Na brincadeira, j&#225; disse um dia um querido amigo ga&#250;cho para as duas filhas e o filho, enquanto sa&#237;a para uma reuni&#227;o do conselho do seu Internacional:- Futebol &#233; mais importante do que a fam&#237;lia...Copa, ent&#227;o...Isso o Ronaldo aprendeu em 98, quando &#8220;apagou&#8221; na final. N&#227;o se deve, jamais, cair na armadilha do somos-os-melhores, somos-o-melhor. Porque isso para nada serve, salvo para ilusoriamente matar a fome de um pa&#237;s com fome, e com sede de vit&#243;ria, alguma vit&#243;ria.Esse somos-o-melhor-do mundo, esse sou-o-melhor-do-mundo, &#233; uma armadilha. Embora fato para um pa&#237;s que tem 5 Copas do Mundo, uma armadilha.Armadilha porque quem j&#225; esteve, acompanhou, viu, viveu, sabe: uma Copa pesa um mundo.Uma Copa, para um jogador brasileiro, j&#225; tem de sa&#237;da o peso de uns 180 milh&#245;es de brasileiros. &#201; pouco inteligente, portanto, depositar ainda mais peso, mais responsabilidade, nos ombros de quem j&#225; carrega tanto.Ok, vendam seus televisores, pacotes de viagem, carros, jornais, revistas, programas, badulaques em geral, mas na pr&#243;xima n&#227;o sobrecarreguem ainda mais os jovens her&#243;is.Eles, tantas vezes, s&#227;o mais inocentes do que parecem, mesmo com seus muitos milh&#245;es, muitos tudo.Que na pr&#243;xima n&#227;o se diga, a cada dia, hora, minuto, que eles s&#227;o, que ele &#233;, o melhor, os melhores do mundo.Que na pr&#243;xima o oba-oba n&#227;o torne o fardo insuportavelmente pesado, a ponto de paralisar a tudo e a todos, como vimos nesse 1&#186; de julho.Que na pr&#243;xima eles sejam, como tantas vezes foram, ser&#227;o, os melhores do mundo, mas sem que sejam tangidos para tanto.Tangidos eles, e tangido, como uma boiada, quem est&#225; em casa, no trabalho, na vida, quase obrigado a crer em tudo que l&#234;, ouve, v&#234;. Quase sem ter o direito de perceber, de enxergar de outra forma.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldo_e_zidane_grandes_historias_se_en">
		<title>Ronaldo e Zidane: grandes hist&#243;rias se enfrentam</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldo_e_zidane_grandes_historias_se_en</link>
		<dc:date>01.07.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject>Esportes</dc:subject>
		<description>Um dos meninos nasceu pobre num sub&#250;rbio do Rio de Janeiro. O outro, &#233; filho de argelinos emigrados para a Fran&#231;a.Um j&#225; era rico, c&#233;lebre - campe&#227;o mundial aos 17 anos - um dos joelhos operado com pouco mais de 20, e um dia, com o mundo parado para assisti-lo e aos seus, falhou. Apagou.  Em Paris. No final, no grande dia.Naquele mesmo dia, hora e lugar, o outro comandou o espet&#225;culo. Horas depois, na celebra&#231;&#227;o da data nacional do pa&#237;s que o adotou, j&#225; era uma lenda.Um voltou para seu pa&#237;s sob suspeita. Seu pa&#237;s costuma, a um s&#243; tempo, venerar e invejar seus &#237;dolos. Tudo se disse sobre o dia em que ele apagou.Pouco tempo depois, rompeu um dos joelhos. Bastou. Foi dado como acabado, liquidado. Dois anos depois esse menino, como se fosse aquele p&#225;ssaro, a F&#234;nix, renasceu das cinzas.Das cinzas de todo o lixo que se produziu sobre ele.No grande dia, o dia final, l&#225; no Jap&#227;o, ele ganhou. Ganhou tudo que algu&#233;m, naquela profiss&#227;o, poderia ganhar num s&#243; dia.O outro agora se despede. Como um deus para a eternidade ou, mesmo se perder e encolher um pouco, como um dos maiores de todos os tempos.O daquele pa&#237;s que ama mas inveja &#8211;o sucesso alheio &#233; uma ofensa pessoal, definiu um dia um dos filhos mais ilustres desse pa&#237;s &#8211; at&#233; outro dia era dado como acabado, novamente.Gordo, escarneciam, gordo!Ele admite que foi culpa dele tamb&#233;m. Mas ele nunca soube, ou nunca quis dizer, que um homem, que mesmo 23 homens, n&#227;o conseguem sozinhos matar a fome e a necessidade de vit&#243;rias de um pa&#237;s inteiro.Ele, a quem diziam &#8220;gordo&#8221; com esc&#225;rnio, ressuscitou faz uns dias, novamente o veneram.O outro se pronuncia, no pa&#237;s onde &#233; uma lenda, Zizou. Deveria ser Zizi, mas l&#225; &#233; assim que chamam ao pinto dos meninos enquanto meninos.Um se chama Ronaldo. Que um dia j&#225; foi Ronaldinho. O outro, Zizou, ganha ou perca, se despedir&#225; em breve e seguir&#225; lenda em seu pa&#237;s.A Ronaldo s&#243; resta uma alternativa. Vencer. Sempre.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldinho_gaucho_ou_encara_ou_a_fila_an">
		<title>Ronaldinho Ga&#250;cho: ou encara ou... a fila anda</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/ronaldinho_gaucho_ou_encara_ou_a_fila_an</link>
		<dc:date>30.06.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject>Esportes</dc:subject>
		<description>foto: ReutersEle &#233; t&#237;mido. De alguma forma sua origem o estimula e o inibe. Quando diz que o preconceito contra si &#233; por conta de ser quem &#233; e de vir de onde veio exp&#245;e o essencial para se entend&#234;-lo. Mesmo que esteja certo. Se entender a sede que o move. Moveu em 2002, e desde antes, ainda na sua Paulista, interior de Pernambuco. Ele j&#225; fora bem em 98. Mas continuava sob suspeita. Alguma suspeita. N&#227;o para todos, mas para muitos. A timidez, o jeit&#227;o desengon&#231;ado configurado nas pernas arqueadas, a incapacidade para compreender, ou para enfrentar, os c&#243;digos do Curralzinho de Darwin, onde a m&#237;dia &#8211;quase sempre isenta, imparcial e objetiva - luta para sobreviver, o conjunto da obra o levou a estar sob eterna suspeita: no instante decisivo ele falharia. N&#227;o falhou. Nos instantes decisivos, na Copa de 2002, foi protagonista, talvez o principal, ainda que muitos ainda n&#227;o tenham notado, ou sigam a dizer que n&#227;o. Al&#233;m do que fez em toda a Copa, como havia feito em 98 - &#224; exce&#231;&#227;o da final quando ningu&#233;m fez quase nada -, no instante decisivo ele n&#227;o falhou. Ao contr&#225;rio, assumiu o comando, brilhou. No primeiro gol de Ronaldo ele disparou o torpedo rasante que levaria &#224; queda do at&#233; ent&#227;o invenc&#237;vel Oliver Khan. No segundo, criou a centelha, o corta-luz que reduziu a racionalidade germ&#226;nica &#224; condi&#231;&#227;o em que pode ser derrotada pelo improviso. Rivaldo abriu de supet&#227;o as pernas arqueadas e a bola na diagonal enfiada por Kl&#233;berson encontrou Ronaldo, que a dominou, escolheu o canto e tocou, no gol que sacramentou o penta. Ele ainda sonhou com esta Copa. Gravou seus 14 gols no bicampe&#227;o Olimpiakos, da Gr&#233;cia, mandou a fita para o Brasil, mas j&#225; era tarde. Estava fora. Recordo Rivaldo por conta de expectativas distintas, quase opostas, em rela&#231;&#227;o ao 10 de agora na sele&#231;&#227;o amarela. Ronaldo, o ga&#250;cho. Melhor do mundo, g&#234;nio, Rei de Barcelona, campe&#227;o da Europa, mais malabarista com a bola do que as focas e golfinhos do aqu&#225;rio de Baltimore, candidato &#8211;indica&#231;&#227;o n&#227;o feita por ele, anote-se - a &#8220;ganhar o mundial sozinho&#8221;. A ver. N&#227;o cometerei aqui o pecado de entregar-lhe o mesmo fardo que jogaram nas costas do outro Ronaldo &#8211; e do qual ele s&#243; come&#231;ou a se livrar tr&#234;s gols depois. Mas, vamos aos fatos. Noutro dia ele disse que jogava mais atr&#225;s por determina&#231;&#227;o do professor Parreira. No jogo contra os ganos (Ai, ui, e v&#234;m pauladas de quem n&#227;o aceita meus ganos, francesos e assemelhados, mas, como eles s&#227;o meus...) o professor enfiou o Juninho e jogou-o para a frente. E a&#237;? A&#237;, nada. Normal. Em 2002 ele era coadjuvante, n&#227;o o anunciado dono da cocada preta. Saiu-se bem. Agora ele &#233;, foi ainda mais antes da Copa, o centro das aten&#231;&#245;es. Ronaldo, o outro, o Fen&#244;meno, sabe desde a final em 98, desde sua morte para a bola trombeteada pr&#233;- 2002, e desde a tentativa recente de enterrar sua trajet&#243;ria hist&#243;rica sob um monte de gordura, o que &#233; ser o centro das aten&#231;&#245;es. O que &#233; carregar a fome e a vontade de vencer de quase todo um pa&#237;s. Ronaldinho, o ga&#250;cho, se alimenta das aten&#231;&#245;es, quanto mais melhor, como &#233; sempre, deve ser sempre, com quem est&#225; no prosc&#234;nio. Mas ele quer mais, muito mais. Noutro dia, a bandeira. Barcelona contra algu&#233;m. Ele passou a bola para um lado e, mil&#233;simos de segundos depois, olhou para o outro lado. Esse movimento ele costuma executar de forma concatenada: olha para um lado enquanto toca para o lado oposto. Mas no dia em que ele, mil&#233;simos de segundos depois de j&#225; ter j&#225; tocado, olhou para o outro lado, esvaziou a integridade da jogada (bel&#237;ssima jogada), deu uma pista. Uma pista do que o move. A fome, insaci&#225;vel, pela aten&#231;&#227;o, pela admira&#231;&#227;o do outro, dos outros, se poss&#237;vel do mundo inteiro. A hora chegou. Esta &#233;, deveria ser, a sua Copa do Mundo. Dois, dois e meio, tr&#234;s bilh&#245;es de humanos estar&#227;o de olhos em Ronaldo ga&#250;cho amanh&#227;. Isso pesa, muito. &#192;s vezes insuportavelmente. A hora &#233; esta. Ou encara ou...a fila anda.</description>
	</item>
	<item rdf:about="http://blogfernandes.blog.terra.com.br/brasil_vence_com_ajuda_divina">
		<title>Brasil vence, com ajuda divina</title>
		<link>http://blogfernandes.blog.terra.com.br/brasil_vence_com_ajuda_divina</link>
		<dc:date>27.06.06</dc:date>
		<dc:creator>Bob Fernandes</dc:creator>
		<dc:subject>Esportes</dc:subject>
		<description>foto: Reuters
M&#227;e e filho, &#193;frica e Brasil.&#160;Jogadores dos dois times, sem combinar mas ao mesmo tempo, cada um em seu lado do campo, formam uma roda, se abra&#231;am, e oram. Bola no centro. Adriano ergue m&#227;os, bra&#231;os e olhos para o c&#233;u. (Esse realmente anda necessitado.) O Emerson n&#227;o pediu, Senhor!, mas por favor inclua-o no pacote. Ao menos, ajude-o a entregar aquela mesa, as tr&#234;s cadeiras e as duas lumin&#225;rias que tem carregado em campo. Ronaldo est&#225; arisco, chama, Kak&#225; percebe e toca. Bem, voc&#234;s viram a&#237;, o Galv&#227;o deve ter se esgoelado. Mas &#233; preciso dizer algumas palavras. No meu &#226;ngulo de vis&#227;o est&#225; um jap&#244;nio. Contra os austr&#225;lios, ele sentou-se exatamente a meu lado. Anota tudo, faz gr&#225;ficos, c&#225;lculos e desenhos impressionantes. Se o Niemeyer v&#234;, contrata. Pois o Ronaldo acabou de dar aquele n&#243;, deslocar a oitava v&#233;rtebra do goleiro gano, rolar para as redes, e o jap&#244;nio ainda est&#225; l&#225;, parado, olhos arregalados e m&#227;os &#224; frente da boca: -Oh!Oh!Oh. No intervalo procuro pelo colega de isen&#231;&#227;o, imparcialidade e objetividade. O jap&#244;nio est&#225; debru&#231;ado sobre a prancheta, ainda a calcular alguma coisa relacionada ao n&#243; do Ronaldo. Tira os olhos do papel e me diz, em portugu&#234;s: -Bonito, bonito... Emerson sente alguma coisa...Senhor, eu sou do bem, n&#227;o pedi e nada tenho com isso, deve ter sido outro ... eu apenas roguei para que ele se livrasse daquela mesa, das tr&#234;s cadeiras e das duas lumin&#225;rias. Emerson toma a bola, d&#225; tr&#234;s passos, trope&#231;a em alguma coisa &#8211;talvez num fio das lumin&#225;rias &#8211; , o L&#250;cio, aquele le&#227;o, impaciente, arranca a bola do Emerson e arranca. Toca para o Cafu. Cafu - o jogo acabou e o Cafu ainda est&#225; correndo,&#160;meu Deus, como corre o Cafu! Aos 36 anos!-, o Cafu corre, chega quase&#160;&#224; linha de fundo e entrega, mam&#227;o com a&#231;&#250;car, para o Adriano. O Adriano &#233; do bem, todos eles s&#227;o, quem convive sabe, mas o cara tem santo forte, e isso n&#227;o &#233; coisa que dependa dele. Sen&#227;o, vejamos. O Edmilson deu aquela cotovelada nele; sem querer, eles s&#227;o amigos. O Edmilson embarcou de volta 24 horas depois. Joelho. O Robinho. O Robinho j&#225; estava dormindo de caneleira, sunga, dando pedalada no len&#231;ol, pronto pra entrar e .... catapimba! Coxa. O pessoal do Rio me informa que os tambores da Vila Cruzeiro s&#227;o quentes. Devem ser, devem ser. O bandeira n&#227;o viu, as coisas taparam os olhos dele. Naquela reprise ligeira, aqui no monitor da minha bancada, o Adriano esteve impedido por tr&#234;s vezes no mesmo lance. Nas duas primeiras, ok, impedimento passivo, mas na hora da coxada-joelhada final na bola e o gol, me pareceu estar de novo &#224; frente. Compensa&#231;&#227;o, compensa&#231;&#227;o. Para mim ele sofreu p&#234;nalti quando tomou o cart&#227;o amarelo, mas h&#225; controv&#233;rsias, h&#225; controv&#233;rsias. De qualquer modo, Mr. Lubos Michel, o juiz, escapou de boa. Se o&#160;eslovaquio n&#227;o d&#225; o gol, depois do p&#234;nalti e do amarelo, imaginem a coisa l&#225; na Vila Cruzeiro; e o juiz&#227;o, amanh&#227; de manh&#227;zinha, porta da casa em Bratislava, a se deparar com a galinha, a farofa e as velas... Segundo tempo. O Gilberto Silva arruma tudo que faltava arrumar l&#225; atr&#225;s, o Cafu pode seguir correndo, subindo. Outro partida&#231;o do le&#227;o L&#250;cio, e Juan, mais uma vez, de fraque e cartola em campo. N&#227;o fosse um zagueiro, e que ainda fala pouco e com a l&#237;ngua presa, todos j&#225; teriam percebido: Juan &#233;, at&#233; agora, o melhor amarelo na copa. Tanto que um ooohhhhh percorreu o est&#225;dio quando aconteceu aquilo. Parece incr&#237;vel, mas ele errou. O Juan errou uma jogada na Copa!!! Os ganos quase aproveitaram, mas o oooohhhhh do est&#225;dio inteiro foi uma homenagem ao Juan. Escolheram o Z&#233; Roberto, outra vez, o melhor em campo. Ele jogou muito, fez um belo gol, &#233; chei-di-perna, como dizem na Fonte Nova, mas o Juan tem sido um espanto. Roberto Carlos, meu vizinho de blog. Nenhuma cerezada, at&#233; quase o final. A&#237;, n&#227;o deram uma bola para ele (ele tinha raz&#227;o, ia sair na cara do gol), e quando n&#227;o deram a bola, ele cerezou. Os ganos quase fizeram no contra-ataque, ali pela &#225;rea do Roberto, enquanto ele ficou l&#225; na frente, esperneando, p da vida, a discutir com o ga&#250;cho. Reparem, quando assistirem &#224; reprise pela nona vez: ele fica l&#225; na frente, dando pulos de raiva e depois, na jogada seguinte, d&#225; um chut&#227;o l&#225; de tr&#225;s, como se quisesse surpreender o goleiro. N&#227;o, n&#227;o foi isso, n&#227;o. O lateral de Araras estava uma arara, por isso aquele chut&#227;o. Sigo com minha tese. H&#225; ali, pela ala esquerda, um problema de superego. N&#227;o estruturou direito, falta auto-censura, umas poucas gramas pelo menos. Quando assistirem &#224; reprise pela d&#233;cima&#8211;oitava vez reparem: na seq&#252;&#234;ncia desse mesmo lance o Roberto se vira para o banco e, se bem entendi, pede substitui&#231;&#227;o. Percebam se n&#227;o foi assim. Kak&#225;. Deu o passe para o primeiro, mas estava com muita pressa, errou muito. N&#227;o foi t&#227;o bem como nas outras, mas seu cr&#233;dito &#233; imenso. Imenso &#233; o Dida. Tapa o gol inteiro. Deve ser terr&#237;vel o atacante invadir a &#225;rea, chegar perto do gol e ... l&#225; est&#225; o Dida, intermin&#225;vel. Ronaldo, o ga&#250;cho. Disse-me outro dia que est&#225; mais atr&#225;s porque o professor pediu... o professor enfiou o Juninho, que entrou bem e pode at&#233; n&#227;o sair mais agora que o bicho vai pegar... e o ga&#250;cho seguiu l&#225; atr&#225;s. Em 2002 o ga&#250;cho era coadjuvante, n&#227;o a estrela principal, que agora espera-se que seja e ele ainda nem chegou perto de ser. &#201; at&#233; bom que esteja a dever. De repente, paga na pr&#243;xima. Ricardinho: entrou muito bem, anteviu e deixou o Z&#233; Roberto na cara do gol.Ronaldo. Procuro aqui no centro de m&#237;dia, e n&#227;o acho, a turma isenta que jurava encontr&#225;-lo sempre na padaria de Madrid batendo um sandub&#227;o de presunto &#8211; regado a coca preta-, ou no super, com o carrinho atrolhado de nuggets e leite condensado. Agora vir&#227;o os francesos. Pode at&#233;, no final,&#160;n&#227;o terminar bem, mas o Ronaldo j&#225; deixou o alem&#244;nio Gerd Muller para tr&#225;s,&#160;e &#233; o maior artilheiro da hist&#243;ria das Copas. Passa por aqui Paolo Vicentino, do Corriere della Sera. Batemos uma bola, concordamos: -&#201; um time pragm&#225;tico, europeu na postura, no jeit&#227;o em campo; n&#227;o na mec&#226;nica, que trataremos em outro dia. Na defini&#231;&#227;o, na conclus&#227;o, &#233;, minimalisticamente brasileiro. Gol dos esp&#226;nios, contra os francesos. Gols dos francesos, contra os esp&#226;nios. Os francesos avan&#231;am, 3 a 1.
A torcida verde-amarela, por aqui segue a berrar pelas ruas o que gritou em coro nas arquibancadas:-Ih, f...deu, o Ronaldo emagreceu, ih, f...deu, o Ronaldo emagreceu... </description>
	</item>
</rdf:RDF>
